Alexandre Sequeira, foto e afeto.

O fotógrafo e artista visual paraense Alexandre Sequeira chegou em 2004 na pequena vila de pescadores de Nazaré do Mocajuba, localizada no município de Curuçá, no nordeste do estado do Pará, interessado em fotografar paisagens.

Começou a conviver e se envolver com as pessoas e com o cotidiano da vila, lentamente foi passando a ser reconhecido e acolhido.

Os moradores de Nazaré foram estabelecendo uma relação de confiança com aquele homem munido de uma máquina pendurada no ombro e se sentindo confortáveis para pedir uma foto para documento. As pessoas tinham pouca ou nenhuma memória fotográfica de seus parentes e delas próprias.

Convidado pelos moradores para conhecer as suas casas, ele começou a se encantar com os tecidos estampados, cortinas que separavam cômodos, lençóis e redes.

Ao observar pelo fino tecido a silhueta de uma pessoa no cômodo oposto em que era iluminada, na contraluz que provinha de uma janela, ficou fascinado por aquela imagem.

Ainda sem saber ao certo o que viria a criar posteriormente, propôs trocas com os moradores por peças novas que ele traria da cidade.

O resultado foi a inserção serigráfica das imagens em tamanho real dos moradores em seus próprios objetos. Em seguida montou uma exposição ao ar livre, às margens do rio Mocajuba, onde os habitantes do lugarejo puderam então se ver impressos em seus objetos pessoais.

Nesse pequeno lugar, que o encantou, Alexandre disseminou poesia, construindo uma grande rede de respeito mútuo e afeto. Uma pequena vila, onde ainda não havia luz elétrica e a população vivia do que plantava e pescava, hoje corre o mundo transbordando pureza e sensibilidade.

 

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O post de hoje é sobre o trabalho de Gabriel Ribeiro.

O artista manipula digitalmente imagens tradicionais japonesas e de botânica formando uma explosão de elementos com a sutileza e a força do feminino.

Com perícia, cria combinações chegando numa composição minuciosa e harmônica. As faces se deslocam como máscaras e liberam movimentos que colorem o cenário árido.

A colagem é uma técnica que proporciona um exercício de liberdade e Gabriel flui em meio ao ritmo predatório das ruas de maneira autônoma. Compartilha o seu trabalho com as pessoas, abrindo em meio ao cinza uma preciosa oportunidade de contemplação.

A potência de suas colagens se amplia quando inserida no contexto urbano, passando a dialogar com os transeuntes desse organismo complexo e desigual que é a cidade. O trabalho não se sobrepõe a ela, ele a incorpora e se integra, propondo uma pausa em nossa rotina alucinante.

As gueixas eram treinadas para zelar e as mesmas, representadas no trabalho de Gabriel, nos entretêm em meio ao caos, zelam e exalam poesia, lembrando que a cidade precisa ser pensada para as pessoas, porque essencialmente a cidade são as pessoas.

 

Mais em: https://www.instagram.com/gabs_instintocoletivo/

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Impressões da Índia

Não há muito para falar sobre essas imagens, que narram um pouco desse processo de impressão encantador que remonta uma tradição de mais de 350 anos.

Vamos dar um mergulho nas cores da cidade de Bagru, Rajastão, na Índia, onde os mestres artesãos transmitem esse método precioso, de geração em geração.

A técnica começa com um artesão que esculpe à mão cada desenho em um bloco de madeira. Para cada cor do padrão é necessário um bloco diferente.

São padrões que vão se desdobrando e preenchendo os tecidos com desenhos, em sua maioria os motivos são inspirados na natureza.

O tecido é então tingido com todos os corantes naturais que são feitos localmente de vegetais e minerais. Uma vez que o tecido está seco, ele está pronto para ser impresso e artesãos trabalham sem parar para completar um trecho inteiro de tecido (geralmente 5 metros ou mais).

Mergulha-se o bloco esculpido na cor de corante e, em seguida, habilmente carimba-se o tecido. Um bloco de cada vez, até que o padrão fique completo.

Para a impressão fixar, o material é exposto ao sol antes de ser submerso em um banho de tintura. Uma vez tingido e lavado, o tecido é fervido, lavado novamente e colocado para secar ao sol.

É impossível não admirar esse processo e as pessoas tão envolvidas nesse ofício.

Atividades como esta reforçam a ideia de que é possível sim preservarmos uma cultura tão rica, sustentável e totalmente integrada a uma vida mais orgânica.

Por mais que hoje tenhamos tanta tecnologia nos métodos de impressão na área gráfica, fica nítido que as impressoras jamais atingirão esse grau de afetividade. Muito além das definições que os olhos podem captar, esse processo se conecta com a nossa alma.

 

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Anna Mariani e as fachadas

Pra começar a falar de Anna Mariani, precisamos citar as preciosas palavras de Caetano Veloso sobre a sua obra:

“A câmera não pretende interpretar os seus signos, mas entrar numa espécie de estado amoroso com a delicadeza de sua poesia. As fotografias são como monalisas pintadas por Volpi.”

Feito isso, podemos continuar a falar dessa incrível fotógrafa que se tornou conhecida principalmente pelas fotografias de fachadas e detalhes da arquitetura de habitações populares, que realiza desde 1976. Em 1987 publicou com este trabalho os livros Pinturas e Platibanda.

São mais de 2 mil fotos de fachadas que Anna Mariani realizou ao longo de 13 anos, percorrendo sete estados do Nordeste, região em que nasceu e onde foi criada.

Suas fotografias apresentam as fachadas plenas, sempre em um ângulo frontal, sem a presença do elemento humano e sem a interferência da paisagem.

Os registros exteriorizam um modo de vida simples, porém rico em criatividade e beleza, evidenciando as mais diversas soluções arquitetônicas do interior do Nordeste brasileiro.

As imagens repousam nessas casas simples sobre uma profunda quietude, tornando o tempo e o silêncio os verdadeiros mestres dessas construções.

As casas registradas falam muito com pouco… sussurram, meditam no tom delicado da cal, da calma.

 

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J. Borges: o artista raiz

 

José Francisco Borges, conhecido artisticamente como J. Borges, é um artista e cordelista brasileiro.

A vida dura do sertão se transformou em matrizes de xilogravura pelas mãos do artista. Foi entalhando madeiras para fazer os seus primeiros livros de cordel que ele deu início a sua incrível produção.

Natural de Pernambuco, Borges mistura muitas referências em suas gravuras, como contos românticos, místicos, lendas, anedotas, etc.

Sua arte traz a essência do Nordeste, retratando no papel o rico cotidiano do sertanejo, que sabe como poucos extrair poesia em meio a tantas adversidades, compondo de um jeito único uma encantadora narrativa da arte popular brasileira.

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As linhas leves da Ana Kraš

A delicadeza dos trabalhos da artista Ana Kraš é contagiante.

Basta uma breve passeada pelas suas produções e somos tomados por uma silêncio imenso, preenchido de leveza.

Seja em suas linhas coloridas tramadas sobre estruturas de arames que formam luminárias cheias de presença ou em linhas ásperas de giz ou grafite, que criam caminhos repletos de volumes e sentimentos sobre o papel.

Ana Kraš é uma referência quando o assunto é beleza, em diversos sentidos, equilibrando simplicidade e sofisticação. Vale a pena acompanhar os passos dessa artista sensível, que suaviza os tortos caminhos da vida com suas linhas leves.

 

 

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