Alexandre Sequeira, foto e afeto.

O fotógrafo e artista visual paraense Alexandre Sequeira chegou em 2004 na pequena vila de pescadores de Nazaré do Mocajuba, localizada no município de Curuçá, no nordeste do estado do Pará, interessado em fotografar paisagens.

Começou a conviver e se envolver com as pessoas e com o cotidiano da vila, lentamente foi passando a ser reconhecido e acolhido.

Os moradores de Nazaré foram estabelecendo uma relação de confiança com aquele homem munido de uma máquina pendurada no ombro e se sentindo confortáveis para pedir uma foto para documento. As pessoas tinham pouca ou nenhuma memória fotográfica de seus parentes e delas próprias.

Convidado pelos moradores para conhecer as suas casas, ele começou a se encantar com os tecidos estampados, cortinas que separavam cômodos, lençóis e redes.

Ao observar pelo fino tecido a silhueta de uma pessoa no cômodo oposto em que era iluminada, na contraluz que provinha de uma janela, ficou fascinado por aquela imagem.

Ainda sem saber ao certo o que viria a criar posteriormente, propôs trocas com os moradores por peças novas que ele traria da cidade.

O resultado foi a inserção serigráfica das imagens em tamanho real dos moradores em seus próprios objetos. Em seguida montou uma exposição ao ar livre, às margens do rio Mocajuba, onde os habitantes do lugarejo puderam então se ver impressos em seus objetos pessoais.

Nesse pequeno lugar, que o encantou, Alexandre disseminou poesia, construindo uma grande rede de respeito mútuo e afeto. Uma pequena vila, onde ainda não havia luz elétrica e a população vivia do que plantava e pescava, hoje corre o mundo transbordando pureza e sensibilidade.

 

7 comments
 

Anna Mariani e as fachadas

Pra começar a falar de Anna Mariani, precisamos citar as preciosas palavras de Caetano Veloso sobre a sua obra:

“A câmera não pretende interpretar os seus signos, mas entrar numa espécie de estado amoroso com a delicadeza de sua poesia. As fotografias são como monalisas pintadas por Volpi.”

Feito isso, podemos continuar a falar dessa incrível fotógrafa que se tornou conhecida principalmente pelas fotografias de fachadas e detalhes da arquitetura de habitações populares, que realiza desde 1976. Em 1987 publicou com este trabalho os livros Pinturas e Platibanda.

São mais de 2 mil fotos de fachadas que Anna Mariani realizou ao longo de 13 anos, percorrendo sete estados do Nordeste, região em que nasceu e onde foi criada.

Suas fotografias apresentam as fachadas plenas, sempre em um ângulo frontal, sem a presença do elemento humano e sem a interferência da paisagem.

Os registros exteriorizam um modo de vida simples, porém rico em criatividade e beleza, evidenciando as mais diversas soluções arquitetônicas do interior do Nordeste brasileiro.

As imagens repousam nessas casas simples sobre uma profunda quietude, tornando o tempo e o silêncio os verdadeiros mestres dessas construções.

As casas registradas falam muito com pouco… sussurram, meditam no tom delicado da cal, da calma.

 

Deixe um comentário
 

J. Borges: o artista raiz

 

José Francisco Borges, conhecido artisticamente como J. Borges, é um artista e cordelista brasileiro.

A vida dura do sertão se transformou em matrizes de xilogravura pelas mãos do artista. Foi entalhando madeiras para fazer os seus primeiros livros de cordel que ele deu início a sua incrível produção.

Natural de Pernambuco, Borges mistura muitas referências em suas gravuras, como contos românticos, místicos, lendas, anedotas, etc.

Sua arte traz a essência do Nordeste, retratando no papel o rico cotidiano do sertanejo, que sabe como poucos extrair poesia em meio a tantas adversidades, compondo de um jeito único uma encantadora narrativa da arte popular brasileira.

4 comments
 

As linhas leves da Ana Kraš

A delicadeza dos trabalhos da artista Ana Kraš é contagiante.

Basta uma breve passeada pelas suas produções e somos tomados por uma silêncio imenso, preenchido de leveza.

Seja em suas linhas coloridas tramadas sobre estruturas de arames que formam luminárias cheias de presença ou em linhas ásperas de giz ou grafite, que criam caminhos repletos de volumes e sentimentos sobre o papel.

Ana Kraš é uma referência quando o assunto é beleza, em diversos sentidos, equilibrando simplicidade e sofisticação. Vale a pena acompanhar os passos dessa artista sensível, que suaviza os tortos caminhos da vida com suas linhas leves.

 

 

Deixe um comentário
 
Atualizando…
  • Nenhum produto no carrinho.

SITE DESENVOLVIDO POR ESTÚDIO DAÓ