Algumas imagens realmente falam mais que mil palavras (a afirmação é um clichê, nós sabemos) mas se encaixa perfeitamente no trabalho singular de arte urbana do artista Luis Bueno.

Você já deve ter se deparado com um Pelé de costas beijando uma personalidade pop, tais encontros inusitados construídos com técnicas mistas por Bueno, nos deslocam da velocidade vertiginosa das grandes cidades para um momento de resgate de um gesto gentil, um recorte no caos para um momento de delicado afeto.

Bob Marley recebendo um leve beijo do Rei e abrindo um doce sorriso, Monalisa, Bowie, Sabotage, encontros monumentais construídos de maneira simples: papel, tinta, cola, e ação, criando uma composição extremamente democrática e poética.

Vivemos tempos de encontros cada vez mais digitais e distantes e o que Bueno propõe como obra pública, funciona como um dispositivo de aproximação e de sensibilização, tanto do expectador com a obra/cidade, como dos transeuntes entre si, que num breve contato visual com as colagens são tocados pela ternura e gentileza que os trabalhos oferecem.

Todo artista que se submete a aplicar um trabalho na rua se expõe a todo tipo de risco, e isso deve ser considerado, há nesse gesto uma dose considerável de coragem e generosidade.

Obrigado Bueno por compartilhar de fato o seu trabalho com as pessoas e possibilitar trocas em todos os níveis. A cidade recebe esses beijos e agradece.

Foto: brunopolengo.com.br

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O post de hoje é sobre o trabalho de Gabriel Ribeiro.

O artista manipula digitalmente imagens tradicionais japonesas e de botânica formando uma explosão de elementos com a sutileza e a força do feminino.

Com perícia, cria combinações chegando numa composição minuciosa e harmônica. As faces se deslocam como máscaras e liberam movimentos que colorem o cenário árido.

A colagem é uma técnica que proporciona um exercício de liberdade e Gabriel flui em meio ao ritmo predatório das ruas de maneira autônoma. Compartilha o seu trabalho com as pessoas, abrindo em meio ao cinza uma preciosa oportunidade de contemplação.

A potência de suas colagens se amplia quando inserida no contexto urbano, passando a dialogar com os transeuntes desse organismo complexo e desigual que é a cidade. O trabalho não se sobrepõe a ela, ele a incorpora e se integra, propondo uma pausa em nossa rotina alucinante.

As gueixas eram treinadas para zelar e as mesmas, representadas no trabalho de Gabriel, nos entretêm em meio ao caos, zelam e exalam poesia, lembrando que a cidade precisa ser pensada para as pessoas, porque essencialmente a cidade são as pessoas.

 

Mais em: https://www.instagram.com/gabs_instintocoletivo/

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